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Algumas profissões costumam trazer glamour, um certo encantamento ligado ao nome. Publicidade e propaganda é um destes exemplos. A tarefa de mexer com o imaginário da sociedade através da criação de anúncios em grandes agências faz com que os aspirantes à carreira, em muitos casos, idealizem um mercado de trabalho voltado exclusivamente para a divulgação dos nomes de grandes empresas. Diante disso, a chance de se decepcionar com a realidade pode ser grande.

Foi movida pelo ar mágico da profissão que Aline Peixoto, 24 anos, entrou na faculdade para cursar comunicação social, com habilitação em publicidade e propaganda. Mesmo com a pressão contrária da família, ela decidiu enfrentar o desafio e encarar o seu sonho. “Sempre pensei em fazer comunicação. Gostava muito de criar e imaginava que isso fosse ampliar meus horizontes. Pensei que iria trabalhar com o que gostava, que ia sair da faculdade direto para uma agência”, lembra Aline, observando que a mágica das agências e a vontade de criar dominam a cabeça da maioria dos estudantes da profissão.

Desde que saiu da faculdade, há dois anos, Aline não consegue emprego fixo na área. “Umas das poucas ofertas que aconteceram foi para ganhar R$ 260. Deu uma revolta muito grande depois de tanta dedicação”, destaca Aline, que, depois de seis meses sem vislumbrar um caminho, decidiu passar um ano na Inglaterra para aprimorar o inglês na tentativa de ganhar um diferencial para o currículo. “Viajei com esperanças, mas nada mudou quando cheguei aqui”, diz.

Apesar das decepções, Aline faz questão de frisar que não se arrepende de ter cursado publicidade, “mas, se pudesse voltar atrás, não teria feito a carreira pensando nela como meio de sobrevivência. Faria como se fosse um curso de pintura”, critica.



Outras Possibilidades

Para o publicitário e um dos diretores da agência Idéia 3 Digital Adelino Mont’Alverne, a saturação do mercado de trabalho não é novidade, mas não é empecilho para que os profissionais exerçam a profissão. “Há dez anos já ouvia falar que o mercado estava saturado. O estudante, muitas vezes, só quer trabalhar em agências e, neste caso, o mercado realmente não é fácil. Mas existem muitas possibilidades em produtoras, gráficas, no mercado de serviços de uma forma geral. Ainda há muito campo nesse sentido em Salvador”, afirma.

Segundo Mont’Alverne, um dos campos que têm crescido e ainda passam por carência de profissionais bem capacitados é o da publicidade digital, na internet. Ele leciona uma disciplina com esse foco na Faculdade Hélio Rocha. “Sentia falta de uma disciplina nas faculdades voltada exclusivamente para o meio digital. Hoje nós aprendemos as técnicas para rádio, televisão, impresso, mas também necessitamos usar bem a linguagem da internet, por isso sugeri essa disciplina, que foi acolhida pela faculdade”, explica.

Para o professor, as empresas estão buscando profissionais com este perfil porque precisam oferecer diferenciais para os clientes. A nova tecnologia, segundo ele, já é rentável para as agências e para os clientes também, já que agrega valor aos produtos.



Estudante deve se reciclar

Aline Peixoto considera que a faculdade deixa a desejar em muitos pontos e não fornece a ajuda necessária para o aluno se formar com todo o conhecimento que o mercado exige. “Sou muito crítica com relação à faculdade. Eu sempre falo que sou formada em comunicação porque não me considero formada em publicidade. Acho que a faculdade poderia ajudar muito mais o aluno, principalmente no aspecto prático da profissão”, diz.

Para a coordenadora do curso de Publicidade das Faculdades Jorge Amado, Natasha Canisso, a faculdade é essencial principalmente por transmitir ao profissional noções de responsabilidade social. “A sociedade é muito influenciada pela comunicação, por isso a ética é de extrema importância. Na faculdade, procuramos dar, além da formação técnica, a formação humana”, acentua, acrescentando que existem 13 faculdades na Bahia que oferecem cursos de publicidade.

Mont’Alverne dá algumas dicas para o estudante que está entrando no mercado ou para quem já está inserido e quer se aperfeiçoar. “Em primeiro lugar, é preciso escolher uma boa faculdade, com bons professores e estudar muito. Procurar participar de cursos, de estágios e viagens. É preciso reciclagem sempre. Acho que o grande lance é investir em si mesmo. A concorrência é grande, por isso é preciso estar acima da média”, observa.

Fonte: Jornal Atarde - Maio/05 - Por: Eduardo Vieira





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